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Deus e Homem - Por Pietro Rutzen

Coluna quinzenal sobre temas de cunho filosófico

Arte por @paintmediocre

Por Pietro Rutzen

pietro@hey.com

Em certo ponto, a humanidade evoluiu em tecnologia e coletividade a ponto de se tornar uma única consciência.


Todos os humanos, vivos e mortos, transcenderam suas individualidades e agora existem como uma unidade energética e flutuante a vagar entre macrocosmos. Entidade essa chamada Homem.


Surge então um encontro peculiar.


Aparentemente o próprio universo também se manifesta como uma unidade. Um avatar de toda a base da existência do tempo, espaço e dimensões além. Entidade chamada Deus.


Homem e Deus então se fitam.


— Sei que esta conversa é acontecimento último e único, então vou direto ao ponto. — Disse Homem. — Me fiz e refiz. Me contorci, nasci e renasci dentro das dualidades que você me impôs. O sentido de existir que mesmo agora persigo, e que já tomou tantas formas é o que almejo. Então diante de ti agora espero ter a resposta definitiva. Qual é o sentido da vida? Qual é o sentido de existir?


— Minha criança. O sentido de existir é você me questionando agora. Conhece tua própria trajetória e o teu alcance. Sabe ao mesmo tempo da separação que te forças para que enxergue a tudo com tenacidade, assim como da unidade. Eu e você, nossa conversa e tudo que somos é o próprio sentido que procura ao perguntar.


— Mais uma vez além do meu alcance. Da minha compreensão. De que adiantou a infinidade de culturas, sociedades, tecnologias e naturezas que me compõe se ainda sim ao final a resposta me foge como areia entre os dedos? Na sutileza da unidade, a forma de contraste se perde. Na tensão da dualidade, os detalhes se desfocam. Não sou mais preso às algemas do universo físico, então me revele por experiência!


— Minha criança, tanto viveu e tanto sabe que o mais simples perceber parece estar fora de sua visão. Para que possa revelar a ti, ainda precisa tornar-se o que hoje sou. Agora devolva o meu cachorro-quente!


— Não! Corri sete quadras com ele enrolado na sacola, e estou faminto!


— Ora seu!


A confusão na praça ecoava na madrugada, enquanto Homem e Deus discutiam, tiveram seu lanche roubado por um terceiro que era famoso nos arredores por ser igualmente louco, mas que a cidade jamais foi capaz de conhecer o nome.


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O artista que colaborou para a ilustração do texto de hoje está promovendo uma campanha de doação para amparar a situação dos incêndios no Pantanal. O dinheiro arrecadado será destinado para AMPARA ANIMAL. Acompanhe em @paintmediocre.



Sobre o autor:

Meu nome é Pietro, sou estudante de Filosofia na UCS em Caxias do Sul. Trabalho também com tecnologia diariamente e encontro muita riqueza na intersecção entre as duas áreas. Para mim, a filosofia nos apresenta a possibilidade de moldar diferentes lentes para com as quais entender a realidade, trazendo também o poder de manter a mente disponível para novas ideias sem deixar de questionar e melhorar o mundo ao nosso redor.

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