Estilos de Dança
O Elemento Voa
Por: Delano Brandelli Pieta
29/07/08


Grupo de Hip Hop de Bento superou adversidades e é reconhecido no país
A arte tem muitos caminhos. Para demonstrá-la, cada grupo ou artista se cerca de influências e coloca nessa atividade o que de mais sublime a arte requer: sentimento. Foi assim que nasceu, em Bento Gonçalves, o grupo Elemento B Crew. Um grupo de jovens, do bairro Santa Helena, reclamava da falta de praças de lazer e quadras esportivas no bairro. Por isso, era necessário criar algo. E a dança foi o meio encontrado.
O grupo nasceu pequeno, com apenas três integrantes. Bem diferente da atual formação, onde nove dançarinos demonstram sua arte: Jhou, Fábio, Jua, Pedro, Daniel, Wesley, Douglas, Mateus e Edvaldo. Além deles, faz parte do grupo o DJ Zonattão e o grafiteiro Hauli, de Caxias do Sul. Existem mais dois membros “honorários”, que moram em outros estados: B. Boy Baqueta, do Paraná e Nino Brown, de São Paulo.
As influências que forjaram o Elemento B Crew são as mais variadas. Desde dançarinos do hip hop americano e pelo grupo Back Spin Crew. “Mas para saber todas as influências do grupo, teríamos que perguntar para cada dançarino responder por si”, responde Jonathan Giacomello, o Jhou.
Além do trabalho árduo para construir as coreografias, um dos maiores obstáculos sempre foi o preconceito. “Sempre existiu o preconceito e sempre vai existir, as culturas urbanas são julgadas por pessoas e classificadas como marginais”, conta Jhou. E relembra: “em um final de tarde estava saindo de uma escola de danças onde trabalhava e fui para a parada de ônibus. Havia acontecido um assalto em uma loja. A parada estava lotada, os policiais me revistaram ali mesmo, me algemaram na frente de todos, como suspeito do assalto. Havia mais de 40 pessoas na parada de ônibus, por que só eu fui revistado e por que mesmo depois de ser revistado e os policias terem visto que eu não tinha armas e materiais roubados, eles tiveram que me algemar e aparecer como heróis para o resto da sociedade?”.
Outra questão que atrapalha é a falta de apoio. Não existem locais adequados para ensaios, por exemplo. “A aceitação está cada vez melhor sim, mas ainda precisa mudar um pouco a forma de pensamento de algumas autoridades e empresários”, diz Jhou. O grupo, inclusive, faz trabalho voluntário em alguns bairros da cidade, sem estímulo algum de poder público e empresariado.
Esquecendo os maus bocados, 2008 será um ano especial para o grupo. Está marcado o sul-americano de duplas para julho, em Minas Gerais, campeonato que é eliminatório para o mundial da Suíça, em dezembro. Mas no mês que vem, o grupo defende o título do campeonato South Kings, maior evento de breaking do Rio Grande do Sul. Além da participação de festivais em Curitiba, Joinville e no próprio Bento em Dança.