Sobre Música
Saudade dos Almôndegas
Por: Delano Brandelli Pieta
28/07/08



Pitadas de bom papo, boa música, nostalgia e uma banda gaúcha lendária
Entraram Kledir e Zé Flávio na sala, brincando, conversando conosco como velhos amigos. Duas das lendas da música popular gaúcha, que fizeram parte da não menos lendária banda Almôndegas, que criou a fórmula gaúcha de fazer música pop. Depois de algum papo, Kledir chama o irmão: “Kleiton, só está faltando você”. O músico então se aproxima. A entrevista coletiva que havia sido marcada vai para o espaço. Se transforma em uma roda de conversa informal, descontraída.
O show da hoje dupla Kleiton & Kledir está cada vez melhor. Sobem ao palco e fazem o que mais sabem: entretêm o público. A interação parece completa. Fazem brincadeiras entre uma ou outra canção. Canções essas que marcaram de alguma forma a vida das pessoas que prestam total atenção aos movimentos e os sons saídos daquele palco. O violino de Kleiton cada vez mais preciso, mais ousado. E os violões de Kledir e Zé Flávio, firmes e limpos.
Para a formação completa dos Almôndegas, ficou faltando apenas Gilnei Silveira (bateria e percussão) e João Batista (baixo). Mas o clima era de nostalgia. Lembrando “Canção da Meia-Noite” (autoria de Zé Flávio), que foi sucesso nacional, fazendo parte da trilha sonora da novela Saramandaia. Ou de alguns ensaios, onde o perfeccionismo de Kleiton com os vocais denotava o quanto era precioso o encontro daqueles músicos.
E surgiu a conversa sobre um reencontro. Um revival. Kledir cita Led Zeppelin: “eles se encontraram na década de 90 para um show, que de tão ruim, pouco se ouviu. Não se prepararam. Agora, o show de Londres foi o velho Led”, cita. E conclui: “com os Almôndegas teria que ser a mesma coisa. Muito preparo, muito ensaio, para sair música de primeira qualidade. Não podemos virar caricaturas de nós mesmos”.
Qual o motivo de Kleiton & Kledir soar tão familiar, sempre? Talvez seja a forma como eles encaram o palco e os fãs. Eles querem fazer parte da turma, são “de casa”. O clique do gravador, informando que a entrevista havia encerrado, não termina com a conversa, franca, sem rodeios, cercada de gauchismos, assim como a música que eles sempre fizeram. Fica, ao final, a certeza. O que faz deles músicos tão singulares e universais ao mesmo tempo é não abandonar as raízes. Fazer a música que lhes convém, do jeito que sabem fazer. Nisso, continuam os mesmos: são imbatíveis.